Tudo que você precisa saber sobre isolamento acústico em salas de reunião

Atualizado: 10 de Ago de 2020

As salas de reunião são ambientes extremamente importantes dentro de uma empresa. Uma sala de reunião pode ser o local de um simples brainstorming ou até mesmo uma reunião da alta cúpula da empresa onde serão traçados os cenários dos próximos anos.

Imagem de uma sala de reunião com 5 pessoas olhando para um monitos com uma apresentação. A imagem tem o intuito de mostrar como o isolamento acústico está relacionado às salas de reunião.
Figura 1: Reunião em ambiente corporativo.

Seja qual for o evento que irá acontecer nesta sala, a acústica é um ponto essencial. Já pensou uma reunião da alta diretoria onde as pessoas não conseguem compreender o que é falado ou uma sala onde tudo que é discutido dentro dela é perfeitamente compreendido nas suas imediações? Pois é, parece um cenário bastante complicado. Imagina então se as paredes forem de vidro… mas não vou entrar nessa polêmica agora, temos ainda um artigo inteiro pela frente!


Quando falamos em salas de reunião precisamos ter dois cuidados básicos: condicionamento e isolamento acústico. O condicionamento obviamente vai tratar dos aspectos da qualidade interna do ambiente como, por exemplo, a inteligibilidade. O isolamento acústico vai tratar especificamente sobre como os sons produzidos fora e dentro da sala são transmitidos por entre os sistemas construtivos.


Da mesma maneira que não queremos que o que é discutido dentro da sala não seja facilmente escutado do lado de fora, também não queremos que conversas ou barulhos externos atrapalhem a reunião! Neste artigo vamos tratar especificamente sobre os aspectos referentes ao isolamento acústico neste tipo de sala, então se você tem interesse nesse tipo de projeto, fica com a gente até o final que vão rolar algumas dicas bem interessantes por aqui.


A voz humana

O primeiro ponto que devemos entender antes de projetar uma sala de reunião é como a voz humana interage com o espaço, ou seja, quais os níveis do som originado pela nossa voz e como isto influencia o projeto.


De acordo com a norma ISO 9921 [1] que trata sobre ergonomia e percepção da fala, em salas de reunião e situações de trabalho onde a comunicação é mantida por um grande período de tempo, o nível de pressão sonora produzido pela voz se enquadra na categoria “normal”, o que produz um nível equivalente igual a 60 dB a um metro, como pode ser visto na tabela abaixo.

Esta é uma tabela com valores de nível de pressão sonora de várias situações de esforços vocais diferentes. O intuito é mostrar como se comportam os níveis produzidos pela nossa voz de acordo com o modo como a fala está ocorrendo.
Tabela 1: Nível de pressão sonora equivalente da voz em função do seu esforço vocal [1]

Mas todo mundo sabe que nem sempre a conversa é mantida com níveis controlados. Os ânimos podem se exaltar um pouco, como é de costume acontecer em reuniões mais críticas. Afinal de contas, somos humanos e perdemos o controle em alguns momentos.


A pergunta que eu quero deixar aqui é a seguinte: vamos considerar que a fala vai ser sempre mantida em níveis normais ou podemos considerar alguns breves momentos de exaltação? Bom, isso depende. A forma como vamos lidar com a privacidade vai depender principalmente da finalidade desta sala.


Privacidade em salas de reunião

Agora que já sabemos os níveis de pressão sonora produzidos pela voz humana, precisamos falar de como vamos associar isso à privacidade. A privacidade de uma sala vai depender de como os assuntos tratados naquele ambiente podem ser percebidos do lado de fora.


Em algumas situações podemos querer que as pessoas sequer saibam que uma conversa está acontecendo naquele ambiente de reuniões. Mas em algumas outras situações podemos ser um pouco mais permissivos e focar apenas em não manter a voz inteligível do lado de fora do ambiente, o que significa que as pessoas saberão que uma conversa está acontecendo, mas não saberão o que exatamente está sendo falado.


Em termos de privacidade, podemos criar algumas categorias de acordo com os assuntos que serão tratados na sala e as pessoas que a utilizarão. Essas categorias começam no requisito máximo de privacidade, onde estão as salas que serão utilizadas pela alta cúpula da diretoria para decisões muito importantes, e terminam no requisito mínimo de privacidade que são as situações menos importantes do ponto de vista da confidencialidade como é uma sala de recepção, por exemplo.

Esta tabela demonstra várias situações diferentes em uma empresa e o nível de confidencialidade exigido para cada uma destas situações em salas de reunião. O intuito é mostrar como o isolamento acústico deve ser planejado de acordo com o tipo de atividade que será exercida na sala.
Tabela 2: Nível de confidencialidade exigido em função do tipo de atividade e ocupantes de uma sala de reunião.

Neste esquema de divisão podemos ver que atividades mais importantes são enquadradas com o requisito máximo em privacidade, enquanto que algumas outras áreas possuem requisitos ligeiramente menores.


Em uma empresa, a grande maioria das salas de reunião se situam nos três primeiros quadrantes que são, respectivamente, máxima, confidencial e gerencial. Outras situações podem ocorrer mas são menos comuns que estas situações destacadas.


O problema agora é como traduzir esta exigência em termos de isolamento acústico. Bom, por sorte não precisamos reinventar a roda. Vamos utilizar apenas o que alguns autores já entendem como sendo o requisito ideal de isolamento acústico.