• Lucas C. L. Falcão

Onde erramos na acústica das igrejas?

Atualizado: 14 de Out de 2019

As igrejas são lugares incrivelmente complexos e isso não é nenhuma novidade entre os que trabalham com sonorização e com acústica. Excesso de baixas frequências, muita reverberação, pouca inteligibilidade e até mesmo ecos são problemas razoavelmente comuns nesses espaços. Com certeza que algo muito próximo de 9 em cada 10 igrejas sofrem diariamente com um desses problemas ou mais de um deles e não faz ideia de como resolver - os 10% restantes provavelmente conseguiram investir em algum projeto de condicionamento acústico. Mas afinal, onde erramos?


Tudo começa com uma pergunta básica: qual o propósito desse espaço?

Hoje as igrejas são também um espaço para performances musicais além de serem espaços destinados à voz. Isso faz com que esses espaços invistam cada vez mais em treinamento técnico e equipamentos especiais para poder entregar o áudio das performances musicais com mais qualidade. Bom, até aqui nenhum problema. Mas como está a transmissão da voz na sua igreja?


Existe um senso comum de que comprar equipamentos de sonorização mais caros vão resolver todos os problemas com o áudio, e isso até seria uma verdade se estivéssemos falando de um estádio de futebol, onde praticamente não existem barreiras físicas, ou de um espaço ao ar livre, mas não quando pensamos em um espaço fechado e reverberante como uma igreja. Aqui, onde a transmissão da voz é fundamentalmente importante, equipamentos não conseguem fazer todo o trabalho, precisamos de uma solução para a acústica. É por esse motivo que precisamos partir de uma premissa muito forte: a de que a transmissão da voz é o elemento mais importante dentro das igrejas e é esse que vai determinar como a acústica da igreja deve se comportar. E isso não quer dizer que eu esteja negligenciando a música, apenas significa que a voz, por ser mais sensível, é o elemento que vai guiar a concepção da acústica do local.


A inteligibilidade

Em acústica, a inteligibilidade é dita como a capacidade de compreender uma determinada mensagem. No nosso caso, a preocupação é que as pessoas consigam entender a pregação sem dificuldades, ou seja, que a igreja cumpra seu papel na transmissão do discurso religioso. O mais interessante é que a importância da inteligibilidade não para apenas na transmissão do discurso. Investir em inteligibilidade influencia também na sensação de conforto que os presentes sentem, daí vem o nome conforto acústico que é tão mencionado pelos engenheiros acústicos e arquitetos.


A falta de inteligibilidade geralmente é causada por problemas de mascaramento, ou seja, quando sons indesejados de nível de pressão sonora próximo ao som que se deseja escutar acabam influenciando na nossa capacidade de entender a mensagem. Existem vários motivos para isso acontecer mas, em igrejas, o fator mais comum para a falta de inteligibilidade é o excesso de reverberação. A reverberação nesses espaços acaba agindo como um ruído indesejável cujo volume é dependente da quantidade de fontes sonoras e do nível de pressão sonora que sai delas. Ou seja, aumentar o volume das caixas principais está bem longe de ser uma solução viável para esse caso já que apenas aumentará o nível de pressão sonora da reverberação, ou campo reverberante, e intensificará o problema. Acreditem em mim, igrejas são lugares especialmente propícios para altos valores de tempo de reverberação por causa de dois fatores muito significativos: grandes espaços, o que implica em grandes volumes, e ausência de materiais absorventes.


Trazendo a inteligibilidade de volta

Como a falta de inteligibilidade é um problema principalmente de mascaramento, a solução está em se livrar dos ruídos que o causam, ou seja, precisamos nos livrar do excesso de reverberação. Fundamentalmente, a melhor maneira de fazer isto é diminuindo o tempo de reverberação com o uso de materiais absorventes.


Se você ainda não leu o nosso artigo sobre materiais absorventes e difusores, sugiro que leia-o clicando aqui. Mas se você já leu, vai lembrar que a função principal de materiais absorventes está na conversão da energia sonora em energia térmica, ou seja, a onda sonora é absorvida e transformada em calor. Quanto mais material absorvente estiver presente em um espaço, menor o seu tempo de reverberação e maior a inteligibilidade. Bingo! Chegamos a uma conclusão: erramos na ausência de materiais absorventes e, consequentemente, erramos em permitir que as igrejas sejam construídas sem o mínimo de controle do tempo de reverberação. E isso implica em uma série de problemas em cascata como falta de inteligibilidade, excesso de ruído e até mesmo outras consequências como estresse induzido por ruído e dores de cabeça. A sua igreja também passa por isso? Comenta aqui e deixe o seu relato pra gente!


Por enquanto não vamos nos aprofundar mais para não prolongar muito a nossa conversa, mas nos próximos artigos vamos falar um pouco mais sobre igrejas, inteligibilidade e controle de tempo de reverberação e muito mais. Espero vocês por aqui!


Espero que tenhamos conseguido passar um pouco mais sobre acústica para vocês e que continuem lendo nossos posts.


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